quarta-feira, 10 de novembro de 2010

As provas

O que são papéis cobertos de textos e questões de múltipla escolha? O que são dias e horas marcados para avaliarem você? E se aquele dia não for o melhor? E se naquele dia você não estiver bem? E se você errar por um descuido uma alternativa? Ôpa! Já perdeu uma vaga na universidade. Porque erros não são permitidos. E porque não? Cometer erros significa não estar preparado? O que sabem da sua vida e da sua inteligência de fato? Se você não acertar responder as perguntinhas daquele papel,  significa que você não é inteligente? E todos os livros que você leu, e toda a experiência que a vida lhe deu, o que as pessoas ensinaram, os filmes que assistiu, as verdadeiras lições que aprendeu, de nada lhe servem?
O vestibular deveria ser um tete-à-tete, um tipo de prova oral diferente. Mas nada de reclamações! Nesse Brasil onde poucos têm chance, já deveria estar muito contente de estar onde estou.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Lição.

Depois das tempestades, vem um lindo dia, de sol aberto para você.
Isso se chama renovação.
Há muito tempo, quando eu tinha mais maturidade, eu já havia percebido que quando Deus me tirava uma coisa, ele me devolvia uma outra muito melhor. Era a Sua forma de enxurgar as minhas lágrimas.
Hoje, eu, de coração endurecido, já estava esquecida disso. Mas, parece que estou vendo sol se abrindo para mim, me permitindo acreditar na bondade de lá de cima.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

algemas.

Condenei tanto as mentiras alheias,
que acho natural mentir.
Condenei tanto o fracasso dos outros,
que nem ligo para o meu fracassar.
Condenei tanto a negligência das pessoas diante dos absurdos do mundo,
que também lavo as minhas mãos.
Condenei tanto o comodismo,
que agora me vanglorio do meu ócio.
Quando a gente se vê diante de tanta sujeira, de tanta mentira e de tanta trapaça,
começa a achar o que é errado, certo.
E acha normal enveredar por esse caminho.
...Logo eu, que tanto condenei as pessoas por agirem iguais as outras,
me tornei a maior Maria vai com as outras que o mundo já teve.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Escuridão

Não vejo flores em você.
Não vejo cores, não vejo ninguém.
Não vejo mais aquela pessoa
que coloquei num pedestal acima de mim.
Não vejo mais aquela inteligência inquebrantável,
não vejo mais nem a mim.
Não vejo no espelho os meus olhos refletir você.
Eles (os meus olhos) já se tornaram tão opacos,
que parecem carcomidos por uma catarata,
que me deixa sucumbir numa escuridão ausente de sentimentos.

Solidão calada.

Sigo arrastando os pés,
tateando pelas paredes da casa,
tão solitária quanto um membro da estirpe dos Buendía (do Márquez).
Como se o vento, o sol, as estrelas não tivessem sentido,
e o que é pior: como se não houvessem mais sonhos.
Eles -os sonhos- até podem existir,
mas não existe mais a vontade de concretizá-los.
Parece-me que já atingi a velhice de corpo e alma,
como se a desesperança que (geralmente) aplaca nessa idade
tivesse se apoderado de mim sem chances de querer me largar.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Lenda.

"Dizem que grãos de areia são lágrimas que não foram enxutas. Lágrimas que caíram na terra e cristalizaram. Já as estrelas, são todas as lágrimas que foram consoladas. Evaporaram e subiram ao céu para brilhar.
Assim, desertos foram outrora, terras de pessoas orgulhosas, que no seu orgulho, jamais demonstraram a sua tristeza para alguém. Sempre choravam sozinhos. A tristeza dessas pessoas era tão grande, que suas lágrimas viraram um mar de areia. Já no céu, habitavam as pessoas boas e alegres, que choravam de alegria e sabiam ser tristes. As poucas lágrimas derramadas de tristeza, eram enxugadas por uma mão amiga, onde lágrima alguma jamais caia na terra, todas subiam aos céus para transformá-lo num mar de luz, que até hoje, brilha e consola a todos."

Por cima.

Eu queria estar acima do mundo. Queria poder controlar o seu movimento, e girá-lo de acordo com a minha vontade. Assim, os dias e noites passariam ao meu bem querer e aqueles, aqueles dias em que queríamos apressá-los, para que as tristezas e decepções vividas neles, passassem tão rápido que não houvesse tempo para lembrar. Porque, muito mais difícil que isso, seria ter uma borracha para que pudéssemos apagá-los de nossas vidas.
O contrário também pode acontecer. Interceder na velocidade de um dia para que as alegrias ali vividas e os momentos bons da vida transcorressem por longas horas... Porque muito melhor seria ter um lápis para redesenhar esses dias, sempre que nossos corações estivessem apagados.