Sigo arrastando os pés,
tateando pelas paredes da casa,
tão solitária quanto um membro da estirpe dos Buendía (do Márquez).
Como se o vento, o sol, as estrelas não tivessem sentido,
e o que é pior: como se não houvessem mais sonhos.
Eles -os sonhos- até podem existir,
mas não existe mais a vontade de concretizá-los.
Parece-me que já atingi a velhice de corpo e alma,
como se a desesperança que (geralmente) aplaca nessa idade
tivesse se apoderado de mim sem chances de querer me largar.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Lenda.
"Dizem que grãos de areia são lágrimas que não foram enxutas. Lágrimas que caíram na terra e cristalizaram. Já as estrelas, são todas as lágrimas que foram consoladas. Evaporaram e subiram ao céu para brilhar.Assim, desertos foram outrora, terras de pessoas orgulhosas, que no seu orgulho, jamais demonstraram a sua tristeza para alguém. Sempre choravam sozinhos. A tristeza dessas pessoas era tão grande, que suas lágrimas viraram um mar de areia. Já no céu, habitavam as pessoas boas e alegres, que choravam de alegria e sabiam ser tristes. As poucas lágrimas derramadas de tristeza, eram enxugadas por uma mão amiga, onde lágrima alguma jamais caia na terra, todas subiam aos céus para transformá-lo num mar de luz, que até hoje, brilha e consola a todos."
Por cima.
Eu queria estar acima do mundo. Queria poder controlar o seu movimento, e girá-lo de acordo com a minha vontade. Assim, os dias e noites passariam ao meu bem querer e aqueles, aqueles dias em que queríamos apressá-los, para que as tristezas e decepções vividas neles, passassem tão rápido que não houvesse tempo para lembrar. Porque, muito mais difícil que isso, seria ter uma borracha para que pudéssemos apagá-los de nossas vidas. O contrário também pode acontecer. Interceder na velocidade de um dia para que as alegrias ali vividas e os momentos bons da vida transcorressem por longas horas... Porque muito melhor seria ter um lápis para redesenhar esses dias, sempre que nossos corações estivessem apagados.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Ano Novo
Eram duas irmãs. Parecidas na fisionomia e severamente opostas na personalidade. Possuíam idades muito próximas, mas que não ajudava para amenizar as divergências. Estavam sem se falar há um ano. Nem o espírito natalino fizera as pazes entre as duas. Mas era fim de ano e 2009 prometia surpresas. Uma virou-se para outra e disse: - Me siga. Então sem hesitar a mais nova deixou sua taça de champanhe na mesa e um namorado abobado no sofá e seguiu a irmã. Seguiram livremente pela rua. Festejaram com algumas pessoas, entraram em festas alheias, foram a uma boate dançaram e foram paqueradas. Saíram e encontraram a praia. Em nenhum momento destes falaram uma com a outra. Não houve troca de palavras. Não se preocuparam com a família que foi deixada para trás. Tampouco a família se preocupou, porque sabia que estavam juntas. E para todos isso bastava. Sentadas na praia, quando o sol já resplandecia no primeiro dia do ano, uma virou-se para outra novamente e disse: - Vamos pegar um táxi de volta? Sorriram e voltaram. Cheias de uma imensa alegria.
domingo, 19 de outubro de 2008
Que me acometa.
Erros. Porque uma vida não
É vida sem eles.
De tão certa, estou errada.
Que me acometam,
Tristezas, arrependimentos,
Pedidos de perdão.
Que eu possa dizer:
Eu não devia ter feito isso...
Ou aquilo.
Porque todos erram,
Estrapolam,
Vão além da conta,
E correm riscos.
Jovens não são comedidos,
Não são sempre responsáveis,
Não são sempre prudentes.
Que eu seja prudente
Por ser sempre jovem,
Que eu nunca esqueça
Que a vida corre,
E que lá na frente
Eu já não possa mais.
Me deixe cometer.
É vida sem eles.
De tão certa, estou errada.
Que me acometam,
Tristezas, arrependimentos,
Pedidos de perdão.
Que eu possa dizer:
Eu não devia ter feito isso...
Ou aquilo.
Porque todos erram,
Estrapolam,
Vão além da conta,
E correm riscos.
Jovens não são comedidos,
Não são sempre responsáveis,
Não são sempre prudentes.
Que eu seja prudente
Por ser sempre jovem,
Que eu nunca esqueça
Que a vida corre,
E que lá na frente
Eu já não possa mais.
Me deixe cometer.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
E você...Já?
Eu já brinquei até ralar os joelhos,
e ainda assim não parei de brincar.
já sofri decepções amorosas,
e não perdi a vontade de me apaixonar de novo.
Já pensei que paixão fosse amor,
e o amor mesmo acabou sendo uma simples paixão.
Já quebrei a cara,
já bati a cabeça e perdi a memória.
já chorei em frente ao espelho pra ver como ficava.
Já pensei que me matar fosse a melhor solução,
e vi que no outro dia tudo acaba bem.
Já chorei por amor, por alegria, por raiva e profunda tristeza,
já pensei que o mundo fosse acabar,
e que bruxos existiam.
Já tive muito medo do escuro e de ficar sozinha,
já tive crise de riso até fazer xixi nas calças,
já ri e chorei ao mesmo tempo,
já fui uma fã fanática,
já briguei por religião e política,
já perdi grandes amizades e isso foi o que mais me fez falta,
já perdi grandes amores e isso não me fez tanta falta assim,
já tive o melhor dia da minha vida,
já descobri que a gente se engana muito,
já mudei muito os meus princípios,
já achei que estava completamente certa quando estava errada,
já dançei dancinhas ridículas para os outros verem,
já inventei brincadeira e fui maloqueira,
já fui gandula e café-com-leite,
já robei fruta do vizinho,
já quebrei vidro de carro jogando bola,
já joguei sal em lesma e em sapo,
já gritei até perder a voz,
já fiz o que sempre condenei,
e depois me senti muito mal por isso,
já ri de mim mesma, já cometi várias gafes e
me senti envorganhada uma porção de vezes.
já pensei que tudo era pra sempre,
e vi que o pra sempre sempre acaba...
e ainda assim não parei de brincar.
já sofri decepções amorosas,
e não perdi a vontade de me apaixonar de novo.
Já pensei que paixão fosse amor,
e o amor mesmo acabou sendo uma simples paixão.
Já quebrei a cara,
já bati a cabeça e perdi a memória.
já chorei em frente ao espelho pra ver como ficava.
Já pensei que me matar fosse a melhor solução,
e vi que no outro dia tudo acaba bem.
Já chorei por amor, por alegria, por raiva e profunda tristeza,
já pensei que o mundo fosse acabar,
e que bruxos existiam.
Já tive muito medo do escuro e de ficar sozinha,
já tive crise de riso até fazer xixi nas calças,
já ri e chorei ao mesmo tempo,
já fui uma fã fanática,
já briguei por religião e política,
já perdi grandes amizades e isso foi o que mais me fez falta,
já perdi grandes amores e isso não me fez tanta falta assim,
já tive o melhor dia da minha vida,
já descobri que a gente se engana muito,
já mudei muito os meus princípios,
já achei que estava completamente certa quando estava errada,
já dançei dancinhas ridículas para os outros verem,
já inventei brincadeira e fui maloqueira,
já fui gandula e café-com-leite,
já robei fruta do vizinho,
já quebrei vidro de carro jogando bola,
já joguei sal em lesma e em sapo,
já gritei até perder a voz,
já fiz o que sempre condenei,
e depois me senti muito mal por isso,
já ri de mim mesma, já cometi várias gafes e
me senti envorganhada uma porção de vezes.
já pensei que tudo era pra sempre,
e vi que o pra sempre sempre acaba...
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Das estrelas, o conforto.
Diante de todas as estrelas que produz o firmamento, apenas uma lhe chamava atenção. Era noite translúcida, com uma minguante no canto. Dava vontade de contar todos aqueles pontos brilhantes e se tivesse um lápis mágico, interligavo-os, contornando de vermelho aquela que mais lhe chamava atenção. Ela produzia uma luz intensa, era também a maior de todas. Lembrou-se da voz lenta e suave de sua mãe dizendo:
- Está vendo aquela estrela brilhante? Aquela ali, maior de todas? - E apontava pra cima, mostrando o astro para menina. - É a sua avó brilhando pra gente lá do céu.
Quando criança, acreditava fielmente naquilo, e a crença não desapareceu. Esquecendo ciência, religiões ou realidade, é bom as vezes a gente acreditar em algo que nos conforte mais. Em algo que mesmo que não seja a verdade, tem uma beleza muito maior que o verdadeiro.
- Está vendo aquela estrela brilhante? Aquela ali, maior de todas? - E apontava pra cima, mostrando o astro para menina. - É a sua avó brilhando pra gente lá do céu.
Quando criança, acreditava fielmente naquilo, e a crença não desapareceu. Esquecendo ciência, religiões ou realidade, é bom as vezes a gente acreditar em algo que nos conforte mais. Em algo que mesmo que não seja a verdade, tem uma beleza muito maior que o verdadeiro.